sábado, 12 de agosto de 2017

NÃO NASCI PRA SER CONTATINHO.

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você vem atrás de mim quando bem entende. e também me descarta quando não pareço mais ser útil. você não quer nada sério, porque provavelmente há outras pessoas na sua lista. mas você também não me dá um fora, porque né... nunca se sabe. deixar as coisas sem ponto final, é sempre deixar tudo com um ar de inacabado, e estando inacabado nada te impede de vir falar comigo dias depois de ter me abraçado e dito que gostava muito de mim. quando a gente volta a se encontrar você sempre diz que não fez nada de diferente, e que a vida continuou a mesma, na menor das hipóteses talvez seja verdade, mas acredito que não. você conheceu outras pessoas, e essas outras pessoas não atenderam tuas expectativas, então você retorna para aquele que te passa segurança. mas eu não sou o tipo de pessoa que nasceu pra ter contato. contato superficial, diga-se de passagem. geralmente com propósito de sexo casual, um filme qualquer, uma conversa sobre o trabalho que não vai bem, sem muitos detalhes, sem muitos diálogos. não. meu negócio é conversa demorada. é confissões. é abrir meu coração pra alguém. gritar meus medos. deixar que essa pessoa veja meus defeitos. manias. excentricidades. meu negócio é conhecer os pais, os amigos mais próximos, ver o álbum de família, planejar viagens, fazer compras no supermercado, sair pra jantar, conhecer lugares, dividir o pacote de biscoito, deitar no colo depois de um dia longo de trabalho. é desse tipo de contato que eu gosto. dessa continuidade. de ligar no outro dia e dizer que tá morrendo de saudade. de não ter medo de se entregar, parecer bobo. eu sou muito bobo, inclusive. gosto de escrever cartas, de fazer declarações, surpresas. gosto de tornar cada dia único. e como que alguém faz isso num relacionamento superficial com alguém que conheceu no mesmo dia? impossível. quero apelidos bestas. escolher o nome do gato. do cachorro. do hamster, tanto faz qual seja o animal de estimação. quero alguém pra rir de mim quando eu estiver sorrindo com alface no dente. alguém pra dizer: cara, como você é desastrado. quero alguém por muito tempo, pra que ele possa perceber como eu me comporto, me conheça dos pés a cabeça. quero alguém pra colocar a mão no meu peito, e me impedir de atravessar a rua porque viu que não daria tempo de atravessar. alguém que se preocupe. que ainda que não esteja comigo fisicamente sempre, esteja pensando em mim e contando as horas pra matar a saudade. quero alguém que consiga sempre me encaixar em alguma parte da rotina. e que não faça isso como obrigação, mas por vontade, porque gosta, sente necessidade afetiva. quero alguém que sinta atração física e intelectual por mim. que me ache inteligente e bom de cama. que me chame de amor na rua, e grite palavrões entre quatro paredes. sem regras, com exceção de que seja apenas eu e você. quero alguém que me ame, e muito. demasiadamente. ainda que não saiba como demonstrar, quero alguém que sinta. que fique evidente no olhar, que seja perceptível pelo modo de se expressar. de abraçar. quero alguém pra meses. anos. quero alguém pra vida. e desculpa se eu pareço tão antiquado para a atualidade, mas essa é a verdade: eu não nasci pra ser contatinho. 

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