Esses dias li um texto da Martha Medeiros com esse mesmo título. No final, ela concluiu que o que doía mais era a saudade. E saudade dói mesmo, e não se cura com beijo da mãe, infelizmente. Quando a gente é criança, já começa a lidar com a dor. A dor física. Tenho uma cicatriz na cabeça de uma queda de bicicleta até hoje, e acredito que se não fosse a cicatriz - que é visível sempre que estou de cabelo curto -, eu poderia ter até esquecido desse acidente. Só precisei correr rápido ao hospital e ficar alguns dias com a cabeça enfaixada igual uma múmia. Poderia ter sido fatal. Quando a dor emocional, a gente faz o que? A gente corre pra onde? Pra um psicólogo? Ainda que ele consiga ajudar, não é uma coisa que cicatriza fácil. Emoção é um negócio difícil de lidar. Tem dia que a gente está bem pra caramba, e no outro quer cometer suicídio. Basta um evento ruim: ser demitido, ter o coração partido, a morte de alguém. O término de um namoro pode ser uma das coisas mais dolorosas que alguém pode passar na vida, principalmente se o término não for da nossa vontade, nem da vontade do outro. O término aconteceu porque o outro deixou de existir fisicamente aqui. Eu espero nunca precisar entender o que a gente faz com a dor nessas horas. Já fui em alguns velórios durante a vida, e não sei como que minha amiga que perdeu o pai tão precocemente conseguiu seguir em frente. Certamente não foi com o abraço que eu dei nela naquele dia. Deve ter sido porque não tinha o que ser feito a não ser seguir em frente, e claro, o apoio de pessoas queridas ao longo do caminho. Eu sempre me coloco no lugar das pessoas nessas horas. O pai que perde o filho. O irmão que perdeu o irmão, a irmã. Perder um melhor amigo. Primeiro eu penso: caramba, podia ter sido eu. Depois fico imaginando como que a família vai lidar com tudo. Onde que eles vão encontrar forças pra continuar. Muita gente vai dizer que é Deus. E pode ser mesmo, vai da religião e da fé de cada um. Outras pessoas vão dizer que a vida é assim mesmo. E, infelizmente, ela é. A vida não para porque alguém morreu. Ela não vem te abraçar, enxugar tuas lágrimas. Se a vida pudesse, ela te colocaria pra chorar enquanto embala uma caixa no supermercado. A vida não está preocupada se a gente está de luto. A gente tira uns dias porque sabe que é necessário, mais que obrigatório desacelerar e colocar a cabeça no lugar. Perder alguém querido tira o nosso chão. Faz com que a gente muitas vezes perca até o caminho que parecia tão bem feito. Agora vai ser preciso refazer esse caminho. É um personagem a menos na nossa história, e ninguém pediu permissão pra isso. A dor que dói mais é a dor da perda. É perder alguém que dormiu conosco ontem, que a gente disse que amava muito, e no dia seguinte, ali no meio da tarde, receber uma ligação com alguém dizendo: Eu não sei como te contar isso.
É, ninguém sabe.
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