se você tivesse me conhecido há alguns anos atrás, provavelmente estaria encontrando bilhetes românticos no bolso da sua calça. eu estaria te escrevendo mais uma carta, planejando uma surpresa, quem sabe até um pedido de namoro com balões em formato de coração, uma música romântica do Bruno Mars e um corredor de velas, desses pedidos que a gente hoje em dia só vê em foto nas redes sociais, porque na vida real se tornaram uma raridade. se você tivesse me conhecido há alguns anos atrás, teria encontrado alguém menos reprimido, menos desconfiado, menos desacreditado no amor. teria encontrado alguém confiante, com um sorriso largo no rosto, como de quem ainda se imagina segurando a mão de outra pessoa numa tarde na varanda. almoço em família. viagens. planos e mais planos. uma casa grande. quintal. cachorros. e um espaço dedicado só pro jardim. você teria se apaixonado logo de cara pela minha risada alta e meu humor brega, pela minha cara amassada ao acordar, ou pela forma como trato os outros sempre com educação e gentileza. você provavelmente teria me encontrado qualquer dia na cozinha tentando fazer a sua receita preferida. as mãos com cheiro de alho. os olhos lacrimejando por conta da cebola. um resultado final que não sairia como planejado, mas que com toda certeza você teria amado. amado principalmente o meu esforço. mas você demorou um pouco além da conta. nossos caminhos se cruzaram alguns anos depois. depois de alguns furacões, tsunamis, e outras coisas que prefiro não comentar agora. você chegou depois de algumas traições, decepções, e gente que foi embora sem sequer dizer a razão. como uma gripe que começa forte e no dia seguinte desaparece do nada, sem explicação. você também está no mesmo barco que o meu, talvez até mais desacreditado, e eu tô tendo que travar uma batalha contra mim mesmo para resgatar a pessoa que eu era há alguns anos atrás, só pra tentar fazer você se apaixonar de novo (e vice-versa), mesmo que agora isso pra ti pareça algo irreal. eu tô tentando resgatar o cara que foi estraçalhado por mil navalhas mesmo que isso signifique correr o risco de ser estraçalhado de novo, eu tô tentando me tirar com vida do fundo do mar, fazendo respiração boca-a-boca, massagem cardíaca, porque em você eu vi uma faísca de que talvez isso valha a pena.
Caramba! Isso era tudo que eu precisava ler, obrigado.
ResponderExcluir