É não saber mais o que pensar. é sentir o cérebro chacoalhar sem poder fazer nada a respeito. é ter mil teorias e nenhuma delas conseguir fazer muito sentido. ou todas elas fazerem sentido de uma vez só. é começar a achar que devemos desistir. é querer tirar satisfação e desistir logo em seguida por medo de parecer louco. é colocar a cara no travesseiro e gritar, pra logo em seguida se olhar no espelho do banheiro e pedir calma pra si mesmo. é sentir uma angústia no peito e não saber de onde vem. é sentir vontade de chorar e segurar as lágrimas porque não se tem um diagnóstico exato do motivo desse choro querer brotar. é estar se afogando em terra viva. é dar um soco na parede e assistir a mão sangrar sem sentir um pingo de dor. é se dar conta que não teve soco nenhum. é ouvir o barulho do ventilador e ele não estar ligado. então eu o ligo na tomada e ouço o som do motor do carro. não sei quem está dirigindo e nem o motivo de estar vindo na minha direção. só tenho quase certeza de uma coisa agora: eu vou ser atropelado.
sábado, 11 de agosto de 2018
quarta-feira, 8 de agosto de 2018
SE A GENTE TIVESSE SE CONHECIDO ANTES.
se você tivesse me conhecido há alguns anos atrás, provavelmente estaria encontrando bilhetes românticos no bolso da sua calça. eu estaria te escrevendo mais uma carta, planejando uma surpresa, quem sabe até um pedido de namoro com balões em formato de coração, uma música romântica do Bruno Mars e um corredor de velas, desses pedidos que a gente hoje em dia só vê em foto nas redes sociais, porque na vida real se tornaram uma raridade. se você tivesse me conhecido há alguns anos atrás, teria encontrado alguém menos reprimido, menos desconfiado, menos desacreditado no amor. teria encontrado alguém confiante, com um sorriso largo no rosto, como de quem ainda se imagina segurando a mão de outra pessoa numa tarde na varanda. almoço em família. viagens. planos e mais planos. uma casa grande. quintal. cachorros. e um espaço dedicado só pro jardim. você teria se apaixonado logo de cara pela minha risada alta e meu humor brega, pela minha cara amassada ao acordar, ou pela forma como trato os outros sempre com educação e gentileza. você provavelmente teria me encontrado qualquer dia na cozinha tentando fazer a sua receita preferida. as mãos com cheiro de alho. os olhos lacrimejando por conta da cebola. um resultado final que não sairia como planejado, mas que com toda certeza você teria amado. amado principalmente o meu esforço. mas você demorou um pouco além da conta. nossos caminhos se cruzaram alguns anos depois. depois de alguns furacões, tsunamis, e outras coisas que prefiro não comentar agora. você chegou depois de algumas traições, decepções, e gente que foi embora sem sequer dizer a razão. como uma gripe que começa forte e no dia seguinte desaparece do nada, sem explicação. você também está no mesmo barco que o meu, talvez até mais desacreditado, e eu tô tendo que travar uma batalha contra mim mesmo para resgatar a pessoa que eu era há alguns anos atrás, só pra tentar fazer você se apaixonar de novo (e vice-versa), mesmo que agora isso pra ti pareça algo irreal. eu tô tentando resgatar o cara que foi estraçalhado por mil navalhas mesmo que isso signifique correr o risco de ser estraçalhado de novo, eu tô tentando me tirar com vida do fundo do mar, fazendo respiração boca-a-boca, massagem cardíaca, porque em você eu vi uma faísca de que talvez isso valha a pena.
sábado, 4 de agosto de 2018
AQUILO QUE NÃO ME DEIXA MORRER.
A palavra fez por mim o que ninguém nunca fez na vida. Eu escrevo desde que me entendo por gente. Começou com cartinhas apaixonadas no ensino fundamental, bilhetes anônimos deixados na mesa da menina mais bonita da sala, que no futuro seriam destinados a amores - em sua maioria rasos - por garotos, e não mais garotas. Um dia eu percebi que escrever não era só um hobbie, algo que você faz quando aparece ali trinta minutinhos de descanso. Não é como jogar videogame e esquecer os nomes dos personagens horas depois. Escrever é se doar. É colocar pra fora aquilo que pode acabar sufocando, matando, levando a gente a tomar um monte de pílula, se automutilar ou se jogar na frente de um carro. O que as palavras fizeram por mim foi me dar abrigo, uma casa na árvore. Foi fazer com que eu me sentisse confortável pra ser eu mesmo, despido de qualquer vontade de querer agradar alguém do outro lado da mesa, ou fazer com que alguém se apaixonasse perdidamente por mim. Porque quando eu começo a escrever parece que as palavras só tem olhos pra mim. Parece que o mundo inteiro deixou de existir e só o que eu sinto agora é o que realmente importa. Parece que eu valho a pena. Parece que eu sou mais do que eu penso que sou. Porque lá fora... lá fora as pessoas só querem desabafar, receber conselhos, ajuda. Mas nenhuma quer te ouvir atentamente, oferecer uma solução ou um abraço que seja. Estamos todos de frente pra um espelho e só nos preocupamos com aquilo que estamos vendo. É verdade que eu deixei de dormir muitas vezes pra escrever pra alguém. Muitas dessas cartas sequer viram o remetente. Não tive coragem de entregar. Ou melhor, tive medo de entregar e não receber a reação que eu esperava. Na maioria das vezes, me agradeci por não ter entregue. Eu despejo palavras como quem vomita depois de uma noite intensa de bebida alcoólica. Vomitar é a unica coisa que vai me fazer melhorar e eu acabo chegando a conclusão de que sempre estou e vou estar bêbado.
sexta-feira, 3 de agosto de 2018
FRASES CLICHÊS PARA TERMINAR O SEU RELACIONAMENTO.
Estou passando por um momento difícil agora, não quero te trazer pra dentro dos meus problemas.
Eu acabei de sair de um relacionamento, não estou pronto.
O meu ex me ligou esses dias, acho que vou voltar com ele.
Eu ainda não esqueci o Felipe.
Eu acho que confundi as coisas, é melhor a gente continuar só sendo amigos mesmo.
Você é demais pra mim, eu não mereço tanto.
Eu não vou poder te oferecer aquilo que você espera.
Eu estou confuso sobre o que sinto por você, preciso de um tempo sozinho pra pensar.
É melhor a gente dar um tempo.
Não é você, sou eu.
O relacionamento esfriou.
Eu não gosto mais de você como antes.
Nós estamos em momentos diferentes.
Você foi a pessoa certa na hora errada.
Eu preciso de espaço.
Não estou conseguindo conciliar minha carreira e um relacionamento.
Não consigo me adaptar ao seu jeito.
Eu conheci outra pessoa.
A última frase não é clichê, é sincera. Independente do motivo, falar a verdade é sempre melhor do que uma desculpa esfarrapada. Não que todos os términos sejam sempre por conta de uma outra pessoa, esse foi só um exemplo, já que muitas vezes a gente prefere mascarar a verdade com frases que a gente lê na internet ou assiste nos filmes.
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