segunda-feira, 19 de agosto de 2019

GAIOLA.

Não é lindo? Me ver preso aqui e saber que eu não posso fazer nada.
Todo dia sofrendo, me cortando, procurando um jeito de sair.
Não é sublime estar aí fora, enquanto eu passo fome aqui dentro, beliscando pedaços da minha própria carne, até que não me reste mais nada.
É uma sinfonia pros teus ouvidos, escutar meus gritos a noite inteira, assistir meu corpo definhar com os passar dos segundos.
Não é maravilhoso me dar boa noite todos os dias, jogar um lençol em cima de mim e fingir que eu não existo?
Eu sigo exausto, me esforçando todos os dias para sorrir, andando em círculos, rindo e chorando, tudo ao mesmo tempo, como se houvessem dois de mim.
Como se isso fosse possível, eu mal consigo permanecer de pé.
A voz que começa a sair fraca.
O coração que lateja, não bombeia mais sangue.
A alma fraca.
Mais uma noite escura, e lá fora o sol brilhando.
É inútil te pedir pra sair daqui,
admita:
o teu maior prazer é me ter dentro dessa gaiola.

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