É inevitável: você vai conhecer pessoas que irão mexer com você, mas que infelizmente não haverá reciprocidade. Você se conectou com ele, mas ele nem tanto assim. Você achou o primeiro encontro maravilhoso, ele mediano. E por aí vai. Depois de eu ter que insistir muito, coisa que raramente eu faço, ele resolveu me ver de novo. Quase que por pena, piedade. Chegando no restaurante, ele não parava de mexer no celular e aquilo foi me irritando. Eu tentava conversar, ele reagia sempre no final com “hanram, sei como é”. Quando não estava mais no celular, provavelmente não tinha mais nada ali que o pudesse distrair, ele colocava as mãos no queixo, cotovelos sob a mesa, e olhava pra qualquer canto, menos nos meus olhos. Acho que foi a vez que eu me senti mais insignificante na minha vida. Foi como estar invisível sem usar a capa do Harry Potter. Eu senti dentro de mim como se vários copos tivessem caídos de uma bandeja. Aos pedaços. Sem que fosse possível salvar nenhum deles. Eu pedi então que cancelássemos o pedido e fôssemos embora. Ele não entendeu muito bem, e eu também estava quebrado demais pra tentar explicar. Nunca me senti numa posição que eu tivesse que ensinar o básico de interesse pra alguém. A gente se sente interessado por algo quando a acha interessante, isso é óbvio. Se ele tivesse sido sincero, provavelmente teria me poupado de todo o trabalho, todo o esforço. Se ele tivesse sido sincero, eu teria poupado gasolina, tempo. Se ele tivesse sido verdadeiro comigo e consigo mesmo, talvez eu ainda tivesse todos os copos intactos.
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