segunda-feira, 31 de julho de 2017

SINTO POUCO.

eu queria dizer que quando eu te conheci, meu coração quase saiu pela boca. que minhas pernas ficaram trêmulas. que minhas mãos suaram. que eu perdi o raciocínio, o poder das palavras. que eu imaginei a gente junto dali algum tempo. mas, desculpa, eu não senti nada disso. eu me esforcei. como alguém que passa a noite tentando aprender álgebra. e me dói tanto por mais que você não acredite, porque a gente tinha tudo pra dar certo. mas não tem como funcionar quando os dois precisam sentir a mesma coisa. na tua rotina você conseguia achar um tempo pra ligar pra mim, na minha rotina eu conseguia mal te desejar boa noite antes de dormir. eu queria dizer que a gente deveria ter se conhecido antes. há alguns anos atrás. quando eu não tinha passado por tudo isso. você teria visto que eu era outra pessoa antes de ter a cara quebrada tantas vezes e de diferentes maneiras. você receberia bilhetes, ligações, e coisas inesperadas que a gente sente vontade de fazer quando gosta de alguém. você teria provado de uma ingenuidade que, infelizmente, hoje nem existe mais. veria que eu dava voto de confiança e não ficava com o pé atrás por qualquer coisa. hoje em dia eu fico com pé atrás antes mesmo de conhecer alguém, e quando conheço não me vejo mais apto a andar pra direção nenhuma. eu queria que você tivesse me conhecido quando eu sentia muito, porque hoje o que eu sinto é quase nulo, é muito pouco.

terça-feira, 25 de julho de 2017

FRÁGIL.

ele tinha uma etiqueta que avisava
era óbvio
de longe você percebia, notava
ele vinha de decepções longas
imensas
maiores que si mesmo
cuidado ao manuseá-lo
todo mundo sabia disso
mas quem se importava?
ele já vem tentando se recompor
como se um copo quebrado
pudesse ficar inteiro de novo
não pode
ele também não poderia
mas somos todos copos quebrados
(mal manuseados por alguém)
não somos?
somos todos peças quebradas
esperando alguém que nos recolha.